FerramentasInteligência artificial19 de fev. de 20265 min

    Como criar seu primeiro agente de IA (sem virar refém de hype)

    Aprenda a criar seu primeiro agente de IA na prática, com arquitetura simples, exemplos reais e foco em produto.

    André Tranchezzi

    André Tranchezzi

    Principal Product Manager

    Como criar seu primeiro agente de IA (sem virar refém de hype)

    Agente de IA é aquela “coisa” que não só responde: ela executa. Ela entende um objetivo, planeja passos, usa ferramentas (APIs, banco de dados, e-mail, planilhas), guarda contexto e entrega um resultado com o mínimo de supervisão.

    Se você é PM/Head de Produto, pensar em agente não é “qual modelo usar”. É: qual trabalho repetitivo e caro vira fluxo automatizado com qualidade aceitável.

    O que é um agente de IA (na prática)

    Um agente costuma ter 5 peças:

    1. Objetivo: o que ele precisa entregar (output claro).

    2. Contexto: regras, políticas, dados do negócio, preferências.

    3. Planejamento: decompor a tarefa em etapas (às vezes com replanejamento).

    4. Ferramentas: chamar serviços externos (CRM, Jira, Slack, SQL, web, etc.).

    5. Memória: lembrar do que importa (curto prazo) e do que é durável (longo prazo).

    Chatbot responde. Agente faz.

    Exemplo de agente: “Todo dia às 8h, buscar tickets críticos abertos, agrupar por causa raiz, sugerir próxima ação e mandar resumo no Slack do time.”

    Antes de construir: escolha um caso de uso bom (e seguro)

    Um bom primeiro agente tem:

    • Alto volume e baixo risco (se errar não vira incêndio)

    • Regras claras

    • Fontes de dados acessíveis

    • Saída verificável (check fácil)

    Ideias perfeitas para começar (para PM/Produto)

    • Triagem de feedback (App Store, NPS, Intercom) + clusterização + síntese semanal

    • “Release notes” automáticas a partir de PRDs/Jira/Git

    • Resumo diário de métricas + alerta de anomalia + “próximas hipóteses”

    • Agente de discovery: pesquisa concorrentes, captura mudanças e resume

    Arquitetura mínima: o “MVP do agente”

    A versão mais simples que funciona de verdade:

    1) Entrada (input)

    • Um comando (“Gerar resumo semanal”)

    • Um gatilho (cron, webhook, evento no produto)

    2) Orquestração (o cérebro)

    • Prompt do sistema + instruções

    • Um “planner” (pode ser o próprio modelo)

    • Um loop de execução: pensar → agir (tool) → checar → finalizar

    3) Ferramentas (tools)

    • Buscar dados (SQL/CRM/Jira)

    • Escrever saída (Doc/Slack/Email)

    • (Opcional) criar tarefas (Linear/Jira)

    4) Guardrails (segurança)

    • Permissões: o que pode e não pode fazer

    • Validações: checagens antes de enviar/alterar algo

    • Logs: tudo rastreável

    5) Avaliação

    • “Deu certo?” (critérios objetivos)

    • Casos de teste reais do seu dia a dia

    Passo a passo para criar seu primeiro agente (na prática)

    Passo 1: Defina a entrega como se fosse um PRD

    Escreva:

    • Input: “toda segunda 9h”

    • Fontes: “Jira + Google Analytics”

    • Output: “mensagem no Slack com 5 bullets + tabela com top issues”

    • Critérios de sucesso: “80% do time considera útil; <5% de dados errados”

    Se você não define o output, o agente “enche linguiça” com confiança.

    Passo 2: Mapeie as ferramentas que ele precisa

    Pergunta simples: o agente precisa “ver” o quê e “fazer” o quê?

    • Ver: buscar tickets, métricas, docs, feedback

    • Fazer: resumir, classificar, sugerir ações, criar ticket, mandar mensagem

    Comece com no máximo 2 integrações.

    Passo 3: Crie o prompt base (com papel, objetivo e regras)

    Estrutura que funciona bem:

    • Quem você é (papel)

    • Objetivo (resultado)

    • Restrições (o que não fazer)

    • Formato de saída (template)

    • Política de incerteza (“se não souber, diga ‘não encontrado’ e peça dado X”)

    Passo 4: Dê um “cérebro operacional” (planejar → executar → validar)

    Mesmo sem framework, o padrão é:

    1. Interpretar tarefa

    2. Gerar plano curto (3–7 passos)

    3. Executar ferramentas

    4. Validar resultado (regras simples)

    5. Entregar no formato combinado

    Passo 5: Validações simples que evitam vergonha

    Exemplos:

    • Se citou um número, mostrar a fonte (“GA: evento X, período Y”)

    • Se vai enviar mensagem, limitar tom e tamanho

    • Se sugeriu ação, listar premissas

    • Se dados faltarem, não inventar

    Passo 6: Rode com humanos no loop

    Primeiras versões:

    • O agente prepara rascunho

    • Alguém aprova (1 clique) antes de enviar/criar tickets

    Quando a taxa de acerto estiver alta, você automatiza mais.

    Exemplo de “primeiro agente” perfeito para PM: Weekly Product Brief

    Objetivo: toda segunda, gerar um brief com:

    • métricas principais (WoW)

    • top 5 incidentes/tickets por impacto

    • top 5 feedbacks agrupados

    • recomendações (1–3 hipóteses)

    Por que é ótimo?

    • Baixo risco

    • Alto valor

    • Fácil validar

    • Reduz trabalho chato do PM

    Boas práticas (e por que elas importam)

    Faça

    • Escopo pequeno (um fluxo)

    • Formato fixo de saída (template)

    • Fontes citadas (links/IDs)

    • Telemetria: taxa de aceitação, retrabalho, tempo economizado

    Evite

    • “Agente genérico que faz tudo”

    • Sem ferramentas (vira só textão)

    • Sem validação (vira gerador de confiança falsa)

    • Colocar em produção criando/alterando coisas sem aprovação

    Erros comuns que eu vejo PMs cometerem

    1. Confundir agente com chat

    • Chat conversa. Agente executa e entrega artefato.

    1. Começar pelo modelo

    • Comece pelo trabalho e pelo fluxo.

    1. Não definir padrão de qualidade

    • Sem critérios, você não sabe se melhorou.

    1. Automatizar decisão sensível cedo

    • Primeiro recomenda; depois decide.

    Checklist rápido (pra você colar no Notion)

    • Tenho um caso de uso com alto volume e baixo risco

    • Output definido com template e exemplo “bom”

    • Fontes de dados mapeadas (máx. 2 no início)

    • Prompt com regras + política de incerteza

    • Loop: planejar → executar → validar → entregar

    • Logs + rastreabilidade

    • Humano aprovando nas primeiras semanas

    • Métrica de sucesso definida (aceitação, tempo, erros)

    Conclusão: o insight estratégico para PM/Head

    Agentes de IA não são “feature legal”. São uma nova camada de automação de trabalho cognitivo. O jeito certo de começar é:

    • escolher um fluxo que dói hoje,

    • deixar o agente produzir um artefato verificável,

    • colocar guardrails e validação,

    • medir tempo economizado e qualidade,

    • e só depois escalar.

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